Humanidade

Eu sinto toda a humanidade dentro do meu ser.
Eu sinto cada ser do mundo. Cada coração que pulsa é o meu coração. As veias dos animais e das folhas são as minhas veias. Eu sou a Terra onde germina a vida, sou o Mar azul e profundo, sou os Ventos que correm, sou as Chamas dançantes…
Eu ouço as canções ocultas dentro dos corações dos seres. Eu ouço os lamentos das crianças, das mulheres e dos homens. Eu ouço as angústias que não são ditas.
Eu sinto a dor da tua ferida em mim.
Eu choro junto contigo.
A tua dor é a minha dor.
E os choros, e os risos, e as alegrias, e os medos, e as vitórias, e os sonhos grandes e pequenos, e as esperanças, e a amargura, de toda a humanidade cabem dentro de mim, ao mesmo tempo.
A melancolia, a alegria, estão em mim ao mesmo tempo. Assim como o Nada sentir.
Eu também sei da escuridão. Da ambição, do egoísmo, do temor, da fobia, das paixões violentas. Eu sei. Eu sei…
Eu cubro tudo com o manto do Amor.
Todos estes sonhos de criança estão dentro de mim.
Todas essas vozes que não falam em meu nome.
Até o sonho que Eu sou.
Nas minhas costas, carrego todo o Universo.
Estas são apenas palavras espontâneas de uma criança…
São apenas pegadas que deixo na areia.

Rathziel

Artist Dr K

Artista: Dr.K 

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Divagações

Às vezes, as coisas apenas não dão certo…
Mas eu ainda acredito que este planeta é um lugar muito lindo.
As pessoas se esforçam muito para viver aqui. Sofrem, passam dificuldades. Machucam umas às outras. Não conheço ninguém “perfeito”…
No entanto, acredito que as pessoas tornam este mundo ainda mais lindo.
Eu tenho espinhos no meu coração, feridas que ainda espero que cicatrizem, algum dia. Mas continuo caminhando, conhecendo as pessoas,tentando aprender o que puder com elas.
Ainda que nem tudo possa dar certo.
Ainda que não seja tudo perfeito.
(Talvez, esta imperfeição seja o segredo da beleza deste planeta.)
Quero amar cada dia que respirar na Terra! E tentar viver cada dia com plenitude, sendo verdadeira com o meu coração…
Até que chegue o dia de me despedir deste lindo e triste planeta sob os meus pés!…
Quando este dia chegar, será um dia como qualquer outro, pois o mundo e as pessoas continuarão a existir…

Mas dizem que até este mundo desaparecerá um dia… Então, desejo que todos os meus irmãos e irmãs vivam cada dia plenamente! =)

Rathziel

Hatsune.Miku.full.1751438 (1)

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Elegias de Duíno (Trecho) – Rainer Maria Rilke

Quem, se eu gritasse, entre as legiões dos Anjos
me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse
inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia
sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo
senão o grau Terrível que ainda suportamos
e que admiramos porque, impassível, desdenha
destruir-nos? Todo Anjo é terrível.
E eu me contenho, pois, e reprimo o apelo
do meu soluço obscuro. Ai, quem nos poderia
valer? Nem Anjos, nem homens
e o intuitivo animal logo adverte
que para nós não há amparo
neste mundo definido. Resta-nos, quem sabe,
a árvore de alguma colina, que podemos rever
cada dia; resta-nos a rua de ontem
e o apego cotidiano de algum hábito
que se afeiçoou a nós e permaneceu.
E a noite, a noite, quando o vento pleno dos espaços
do mundo desgasta-nos a face – a quem furtaria ela,
a desejada, ternamente enganosa, sobressalto para o
coração solitário? Será mais leve para os que se amam?
Ai, apenas ocultam eles, um ao outro, seu destino.
Não o sabias? Arroja o vácuo aprisionado em teus braços
para os espaços que respiramos – talvez pássaros
sentirão o ar mais dilatado, num vôo mais comovido.

Sim, as primaveras precisavam de ti.
Muitas estrelas queriam ser percebidas.
Do passado profundo afluía uma vaga, ou
quando passavas sob uma janela aberta,
uma viola d’amore se abandonava. Tudo isto era missão.
Acaso a cumpriste? Não estavas sempre
distraído, à espera, como se tudo
anunciasse a amada? (Onde queres abrigá-la,
se grandes e estranhos pensamentos vão e vem
dentro de ti e, muitas vezes, se demoram nas noites?)
Se a nostalgia vier, porém, canta as amantes;
ainda não é bastante imortal sua celebrada ternura.
(…)

Vozes, vozes. Ouve, meu coração, como outrora apenas
os santos ouviam, quando o imenso chamado
os erguia do chão; eles porém permaneciam ajoelhados,
os prodigiosos, e nada percebiam,
tão absortos ouviam. Não que possas suportar
a voz de Deus, longe disso. Mas ouve essa aragem,
a incessante mensagem que gera o silêncio.
Ergue-se agora, para que ouças, o rumor
dos jovens mortos. Onde quer que fosses,
nas igrejas de Roma e Nápoles, não ouvias a voz
de seu destino tranquilo? Ou inscrições não se ofereciam,
sublimes? A estela funerária em Santa Maria Formosa…
O que pede essa voz? A ansiada libertação
da aparência de injustiça que às vezes perturba
a agilidade pura de suas almas.

É estranho, sem dúvida, não habitar mais a terra,
abandonar os hábitos apenas aprendidos,
à rosas e a outras coisas singularmente promissoras
não atribuir mais o sentido do vir-a-ser humano;
o que se era, entre mãos trêmulas, medroas,
não mais o ser; abandonar até mesmo o próprio nome
como se abandona um brinquedo partido.
Estranho, não desejar mais nossos desejos. Estranho,
ver no espaço tudo quanto se encadeava, esvoaçar,
desligado. E o estar-morto é penoso
e quantas tentativas até encontrar em seu seio
um vestígio de eternidade. – Os vivos cometem
o grande erro de distinguir demasiado
bem. Os Anjos (dizem) muitas vezes não sabem
se caminham entre vivos ou mortos.
Através das duas esferas, todas as idades a corrente
eterna arrasta. E a ambas domina com seu rumor.

Rainer Maria Rilke

Rainer Maria Rilke

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Aos pés do amor mais lindo de todos II – (Sobre Sri Ramakrishna)

Certa vez, Ramakrishna me disse o seguinte:
“Medite aos Pés do Divino, na forma que o seu coração pedir: Shiva, Vishnu, Jesus, Rama ou Krishna. Ou, se quiser, em alguma das manifestações da Mãe Divina: Lakshmi, Kali, Jagadamba, Uma, Parvati ou Sarasvati.
O importante é que você faça isso de todo coração.
Deponha o seu ego aos Pés do Eterno!
Não esconda nada. Entregue-se. Submeta-se ao Supremo.
Se você fizer isso, com Prema e Satya*, a Luz virá…
E, então, você sentirá um Grande Amor.
E não conseguirá falar disso, pois suas palavras sumirão.
Só haverá uma massa de Ananda** em seu Ser.
E só o seu coração compreenderá.
Por isso eu lhe digo que, ‘é só o Amor que nos leva…’
Medite nisso, pois, aos Pés do Divino, você é como uma criança.
Sim, criança diante do infinito…”
Ah, ele me disse isso e começou a rir daquele jeito dele.
Ele mesmo era uma criança do Eterno.
E eu era a criança diante dele.
E sua risada continua em meu coração.
Sim, como inspiração espiritual e Paz e Luz!

(Autor: Wagner Borges)

– Notas:
* Prema – do sânscrito – Amor Divino, incondicional.
Satya – do sânscrito – Verdade Divina, celeste.
** Ananda – do sânscrito – estado de Bem-Aventuranca Espiritual; Êxtase Espiritual.
*** Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século XIX e que é considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. 

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Encontrei este texto enquanto navegava pela Internet. Achei muito lindo… Pode ser lido (na íntegra) aqui. Paz e luz! =)

Rathziel

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Poema circense – José Paulo Paes

Atirei meu coração às areias do circo como se atira ao mar uma âncora aflita. Ninguém bateu palmas. O trapezista sorriu, o leão farejou-me desdenhosamente, o palhaço zombou de minha sombra fatídica.

Só a pequena bailarina compreendeu. Em suas mãos de opala, meu coração refletia as nuvens de outono, os jogos de infância, as vozes populares.

Depois de muitas quedas, aprendi. Sei agora vestir, com razoável destreza, os risos da hiena, a frágil polidez dos elefantes, a elegância marinha dos corcéis.

Todavia, quando as luzes se apagam, readquiro antigos poderes e voo. Voo para um mundo sem espelhos falsos, onde o sol devolve a cada coisa a sombra natural e onde não há aplausos, porque tudo é justo, porque tudo é bom.

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Apenas sentir…

… o sopro do vento, arrepiando a pele…
… a própria respiração, que se aprofunda…
… o próprio coração, que ainda pulsa…
… o imenso silêncio, que tudo abraça…
… o vazio, na raiz de todas as coisas do mundo…
… a morte chegando, como uma velha mãe…
… tudo isto sem uma razão…
… nada precisa ter razão…
… nada precisa de resposta…
… só é preciso sentir…
… só existir…

(Rathziel)

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Não sou nada

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(Trecho de “Tabacaria”, de Fernando Pessoa)

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